3.1- Estudante de Medicina na Escola Paulista de Medicina

3.1.1- Vida Acadêmica

Um muito breve resumo, a EPM foi fundada em 1933, tratava-se de uma Faculdade de Medicina privada, porém, sem fins lucrativos e que apresentava uma característica muito peculiar, praticamente inédita, pois os professores ao invés de receberem salário, pagavam para dar aulas, pois era preciso levar adiante este ideal, era um imenso e custoso desafio que se apresentava. A primeira sede da EPM foi uma pequena casa que se localizava no bairro da Vila Mariana, na esquina da rua Abílio Soares com a rua Coronel Oscar Porto (Figura 1), que já não existe mais.

Figura 1- Primeira sede da EPM, 1933.

Figura 1- Primeira sede da EPM, 1933.

Figura 2- A sede definitiva da EPM, foto de 1936.

Figura 2- A sede definitiva da EPM, foto de 1936.

Figura 3. Foto atual da sede da EPM.

Figura 3. Foto atual da sede da EPM.

Figura 4. Foto atual da sede da EPM.

Figura 4. Foto atual da sede da EPM.

Figura 5- Vista aérea do PS do HSP e do prédio do HSP à esquerda.

Figura 5- Vista aérea do PS do HSP e do prédio do HSP à esquerda.

Figura 6- Fachada lateral da BIREME.

Figura 6- Fachada lateral da BIREME.

Em fins de 1930 a sede mudou-se para seu local definitivo na Vila Clementino, rua Botucatu 740 (Figuras 2-3-4).

Devido aos eternos problemas financeiros por que passava, a EPM foi federalizada em 1956, e posteriormente em 1994 foi transformada por lei federal na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Em 1940 foi construído o Hospital São Paulo que se constituiu no primeiro hospital de ensino do país e em 1957 foi instituído o programa da Residência Médica, também um dos pioneiros em nosso país (Figura 5).

Terminada a euforia do ingresso na vida universitária passamos a conviver com a dura realidade do programa curricular do curso de Medicina. A ilusão de que já éramos quase médicos e que começaríamos a entrar em contato com pacientes rapidamente se dissipou, pois tivemos que passar a conviver com as Disciplinas chamadas da área básica, ou seja, Anatomia, Histologia, Bioestatística, Farmacologia, Biofísica, Bioquímica, Anatomia Patológica, Microbiologia, Imunologia, Parasitologia, etc. Em contrapartida tivemos a oportunidade de conviver com fantásticos professores, frequentar laboratórios de pesquisa da mais alta qualidade, ter à nossa inteira disposição a mais completa biblioteca da área da saúde da América Latina, a BIREME financiada pela Organização Pan-Americana da Saúde, localizada dentro do campus em um edifício recém construído para tal escopo (Figura 6).

O professor que se tornou nosso primeiro amigo foi o jovem professor José Carlos Prates (na década de 1970 tornou-se Diretor da EPM), da Anatomia, que era assistente do professor catedrático Renato Locchi, um austero senhor que havia sido discípulo de um famoso anatomista italiano que veio trabalhar na USP na década de 1940, Alfonso Bovero. Prates nos defendia dos tradicionais banhos de fim de tarde que os veteranos nos aplicavam. Eles ficavam esperando o fim da prática de Anatomia e nos encurralavam na saída do laboratório para jogar água nos calouros, era uma prática diária que ia até o mês de maio (libertação da escravatura). Muitas vezes para tentar nos proteger Prates saia na frente imaginando que seria respeitado pelos veteranos, porém, esta tática nem sempre dava certo e inúmeras vezes ele foi o primeiro a levar uns baldes de água na cabeça. Na Histologia sofríamos por ter que desenhar as estruturas dos tecidos do organismo humano vistas nos microscópios e sermos cobrados porque as reproduções desenhadas nem de longe refletiam o que as lâminas nos mostravam. O chefe da cadeira era o Prof. Nilceu Marques de Castro, havia se formado na primeira turma da EPM em 1933, tinha um orgulho enorme em ser um genuíno epemista, também era extremamente severo, ele costumava deixar praticamente metade da turma para segunda época (era a segunda chance algumas semanas após o exame final), eu não fui exceção. Prof. Nilceu tornou-se diretor da EPM na década de 1960, mas infelizmente não terminou seu mandato pois veio a falecer durante sua gestão de modo trágico. Ele gostava de pescaria em alto mar e numa destas pescarias o barco em que estava afundou e ele morreu afogado.

Figura 7- Prof. Nilceu Marques de Castro.

Figura 7- Prof. Nilceu Marques de Castro.

Atravessando a rua Pedro de Toledo no quarteirão em direção à rua Loefgren, situavam-se além da Bireme, outros laboratórios de pesquisa. Um deles era conhecido pela alcunha de Pampulha por que lá era a sede de duas Disciplinas, Bioquímica e Farmacologia, que eram lideradas por dois professores mineiros, Prof. Leal do Prado e Prof. Ribeiro do Vale. Eles eram prestigiosos cientistas com grande produção em pesquisa básica, reconhecidos internacionalmente. Foram eles, no início dos anos 1970, os responsáveis pela implantação dos cursos de Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado, na nossa instituição. Em um outro edifício de 9 andares, recém construído, denominado Edifício das Ciências Biomédicas estavam abrigadas várias Disciplinas, tais como, Biofísica, chefiada pelo Prof. Paiva e juntamente com sua mulher Prof. Terezinha, Microbiologia, Prof. Otto Bier, Parasitologia, Prof. Dandretta e Bioestatística, Profs. Paiva e Neil.

A despeito dessa inicial frustração, é importante ressalvar que a mudança de vida e status foram enormes. Havia ainda poucas Faculdades de Medicina no país e por consequência poucos médicos. Apresentar-se como estudante de Medicina era por si só um belo cartão de visitas, abria inúmeras portas na nossa sociedade.

Durante os três primeiros anos nosso comportamento sociocultural se limitava aos arredores da rua Botucatu, lanchonetes, cafés (o Finesse era o principal ponto de encontro) e bilhar (nos intervalos das aulas íamos disputar partidas de sinuca no Constantino na rua Pedro de Toledo), do lado oposto ao Hospital São Paulo.

Esta longa e árdua rotina durou, em tempo integral (manhã e tarde), até o terceiro ano, quando somente a partir daí então começamos a travar contato com as Disciplinas chamadas profissionalizantes. Logo que entrei na EPM, tinha a ideia de fazer clínica geral, de não fazer cirurgia, nunca tive talento nem tampouco paciência para usar o bisturi, muito menos ficar dissecando. Para mim, era uma tortura ficar na Anatomia dissecando, queria ter relações com as pessoas, então tinha certeza que faria alguma atividade clínica.

A partir do quarto ano, vestindo jaleco branco e já com o estetoscópio pendurado ao pescoço (este era o símbolo inconfundível de que já estávamos examinando pacientes), tudo mudava, inclusive também mudava nosso rumo na hora do café no meio da manhã e no almoço, agora passava a ser em frente ao Hospital São Paulo, na rua Napoleão de Barros, o tradicionalíssimo Xaxim.  Nesta época fomos introduzidos ao mundo hospitalar, ambulatórios das mais diversas especialidades e às enfermarias dos pacientes internados. Nesta área profissionalizante também tivemos fantásticos professores, as célebres visitas aos leitos das diferentes clínicas eram extremamente ricas, as discussões de casos nos mostravam a eloquência e a experiência dos nossos mestres, enfim aprendia-se muito do ponto de vista médico, mas acima de tudo o raciocínio clínico e o caráter humanitário de como deviam ser tratados nossos pacientes. Dentre todos estes grandes professores havia um deles que sobressaia de forma nítida, e que se tornou nosso paraninfo, Prof. Domingos Delascio, da Obstetrícia (Figura 8).

Figura 8- Festa da formatura em minha casa, Prof. Delascio, de terno preto ao centro.

Figura 8- Festa da formatura em minha casa, Prof. Delascio, de terno preto ao centro.

Figura 9- Festa de formatura em minha casa com familiares e colegas de turma.

Figura 9- Festa de formatura em minha casa com familiares e colegas de turma.

Figura 10- Festa de formatura em minha casa com familiares e colegas de turma.

Figura 10- Festa de formatura em minha casa com familiares e colegas de turma.

Figura 11 - Festa de formatura em minha casa com familiares e colegas de turma. Prof. Prates aparece no alto ao centro.

Figura 11 – Festa de formatura em minha casa com familiares e colegas de turma. Prof. Prates aparece no alto ao centro.

Ele possuía o dom da docência de forma absolutamente nata, se entregava de corpo e alma aos seus discípulos, era incansável, oferecia até mesmo sua casa para que pudéssemos estudar com ele em sua vasta biblioteca pessoal. Era muito comum à noite um pequeno grupo de alunos seus irem à sua casa após o jantar para estudar algum tópico dos novos conhecimentos da área médica. Eu mesmo depois de formado, ainda na década de 1970-80, já como Pediatra, tive a honra de ser por ele escolhido para acompanhar os partos que ele fazia no Hospital Umberto I. Tratava-se de uma prática pioneira, a presença do Pediatra na sala de parto para atender o recém-nascido imediatamente após o parto. Esta prática havia sido introduzida na América Latina por um grupo uruguaio liderado pelo dr. Caldero-Barcia, que esteve entre nós dando um curso de atenção ao recém-nascido na sala de parto quando eu estava no quinto ano, e que foi adotada de imediato pelo Prof. Delascio, no Hospital São Paulo e em sua clínica privada.

Mas, retornando aos tempos de aluno, os anos foram se passando com enorme rapidez, no quinto ano iniciamos o internato que se estendeu por todo o sexto ano e, assim, praticamente sem que nos déssemos conta, estávamos chegando à formatura (Figuras 9-10-11).

Agora mais um desafio se avizinhava, a escolha da área médica de atuação para prestar e ser aprovado no exame da Residência Médica. Como o número de vagas era limitado e menor do que o número de postulantes teríamos que ser submetidos a mais um vestibular, isto era inevitável. Como havia optado pela Pediatria a disputa era das mais acirradas, pois havia apenas 5 vagas e éramos 15 concorrentes. Prestei o exame que constava de uma prova teórica e outra prática, felizmente fui aprovado, desta forma começava uma nova etapa na minha vida pessoal e profissional, minha carreira como Médico cumpriria os 3 anos da Residência Médica.

A escolha pela Pediatria se deu porque a preocupação social sempre me afligiu, pois como joguei futebol nos mais variados e distantes lugares da periferia da cidade de São Paulo, era lá que se encontravam os campos de futebol da nossa várzea, passei por muitas favelas, me comovia ver as crianças abandonadas, a miséria, a desigualdade social sempre me incomodou tremendamente. Entendia que a melhor forma de ajudar na questão social era trabalhar com crianças e a minha tendência natural foi ir para a Pediatria. Mas queria trabalhar na Pediatria em algo que tivesse relevância social, por isso me aproximei da Medicina Preventiva, porém, infelizmente não encontrei lá, naquela ocasião, um estímulo que fosse suficientemente importante para trabalhar nesta área, então me voltei para a Pediatria.

4.2- Vida de Atleta

Para atenuar a maçante rotina dos laboratórios de ensino eu me envolvi profundamente com as coisas da nossa Associação Atlética Acadêmica Pereira Barreto (AAAPB). Lá coexistíamos os dirigentes (cartolas) e os atletas das diversas modalidades esportivas. Os “cartolas” eram responsáveis pela organização das competições entre as nossas congêneres como a PAULI-MED, a PAUI-POLI, a INTERMED, os campeonatos da Federação Universitária de Esportes (FUPE), e também cuidavam da administração da AAAPB.

A minha primeira participação em uma competição universitária ocorreu logo no início das aulas em abril de 1965, foi a PAULI-MED, que por coincidência acontecia pela primeira vez. Na verdade ela seria a precursora da INTERMED que começaria em 1967. Foi a minha primeira experiência em vivenciar o tamanho da rivalidade que existia entre as 2 faculdades de Medicina. Sabia que alguma rivalidade sempre havia existido, mas sentir nos campos esportivos, pois eu jogava futebol, vôlei e futebol de salão, tanto por parte dos atletas como por parte das torcidas o espírito de guerra, foi para mim, que mesmo acostumado a outras inúmeras experiências prévias como atleta, algo bastante impressionante. Inesquecível era disputar as partidas escutando o cântico das torcidas se ironizando reciprocamente, enquanto a nossa insistia com o novo apelido dado à MED, “Porcada”, por outro lado nós ouvíamos continuadamente o “fede, fede, fede refugo da MED”. Afinal tudo era muito divertido, embora às vezes algumas escaramuças físicas ocorressem entre as torcidas. Esta primeira PAULI-MED nós perdemos na competição geral, embora tivéssemos empatado no futebol (2×2) e vencido no vôlei e no futebol de salão (Figura 12).

Figura 12- Time de futebol da primeira PAULI-MED em 1965, no estádio do Pacaembu antes da construção do tobogã.

Figura 12- Time de futebol da primeira PAULI-MED em 1965, no estádio do Pacaembu antes da construção do tobogã.

Entretanto, as outras 5 competições foram por nós vencidas de forma consecutiva. Em uma delas, quando eu já estava no quinto ano, a partida de futebol foi disputada no campo da Atlética da MED, porque o campo do estádio do Pacaembu estava em reforma. Era uma partida chave para determinar o vencedor da competição geral, eu havia me contundido com certa gravidade na semana anterior em um jogo do Clube Atlético Indiano contra a seleção do Macabi que iria participar das Macabíadas em Israel. Em uma disputa de bola com o goleiro deles houve um choque violento e eu sofri uma luxação acrômio-esternal extremamente dolorosa. A dor no tórax era intensa, eu mal podia respirar normalmente, que perdurou por toda a semana, o que tornava muito improvável minha participação naquela partida. Entretanto, como eu não queria deixar de jogar aquela partida de nenhuma forma, me socorri do nosso enfermeiro do Pronto Socorro da Ortopedia do Hospital São Paulo, o Jonas, nosso grande amigo que sempre cuidava com o maior carinho das nossas lesões ortopédicas, eu as tive inúmeras vezes, para tentar uma solução paliativa que viabilizasse minha participação na partida. Ele teve a ideia de fazer um colete de gesso que imobilizava meu tórax, o que me protegia, mas por outro lado, limitava tremendamente meus movimentos. Como esta era a única solução possível para eu poder jogar, assim foi feito, joguei toda a partida com enormes limitações, corria com dificuldade e tinha que me prevenir de algum choque físico que pudesse piorar minha situação. Enfim, tinha que me conformar com aquelas dificuldades, me irritava profundamente não poder ajudar meus companheiros como costumava fazer, o jogo estava complicado, o 0X0 se mantinha e a partida estava por terminar quando ocorreu uma falta a nosso favor próximo da área do adversário. Eu me apresentei para bater a falta porque normalmente o fazia, e, apesar das limitações físicas impostas pelo colete bati a falta e fiz o gol da vitória, o que também redundou na conquista da competição geral. Foi uma alegria transbordante, uma celebração interminável. Infelizmente, esta competição que foi se tornando tradicional em nosso meio universitário deixou de existir em algum momento dos anos 1970, porque as brigas entre as torcidas foram acontecendo cada vez mais frequentes o que inviabilizou definitivamente a organização da mesma.

As atividades esportivas influíam muito no metabolismo da EPM. Por exemplo, a PAULI-POLI movimentava não somente nossa EPM como até mesmo uma parte da nossa cidade. A primeira edição da PAULI-POLI foi realizada em 1940 e tornou-se uma das mais tradicionais competições universitárias. Era conhecida como a “Competição Majestade”, chamava a atenção dos paulistanos, seja pelas acirradas disputas esportivas como também pelos eventos paralelos, como shows, bailes e o concurso da garota PAULI-POLI (Figuras 13-14).

Figura 13- Símbolo da PAULI-POLI.

Figura 13- Símbolo da PAULI-POLI.

Figura 14- Esquema simbólico da rivalidade em disputa.

Figura 14- Esquema simbólico da rivalidade em disputa.

Esta competição persiste até os dias atuais com grande entusiasmo por parte dos alunos de ambas as universidades. Vale a pena esclarecer que a PAULI-POLI é uma competição que envolve diversas modalidades esportivas, que nos anos 1960 durava toda uma semana, começava em um sábado do mês de outubro e terminava no sábado seguinte à noite. Eram disputadas as seguintes modalidades esportivas: atletismo (provas de campo e de pista), natação, polo aquático, xadrez, tênis, tênis de mesa, beisebol, bola ao cesto, voleibol, futebol e futebol de salão, era uma miniolimpíada. A primeira PAULI–POLI que disputei, em 1965, fazia 15 anos que a EPM não ganhava essa competição no computo geral e nesse primeiro ano vencemos a competição. Aliás vencemos as 4 competições seguintes de forma consecutiva, um feito absolutamente inédito até então.  Em algumas modalidades havia muitos anos que não ganhávamos, mas desta vez ganhamos. No futebol ganhamos de cinco a dois, marquei dois gols, no vôlei, eram 20 anos sem ganhar, ganhamos, eu era o capitão do time, e no futebol de salão, que foi a disputa final também ganhamos (Figura 15).

Os jogos eram realizados no ginásio do Pacaembu, a decisão da competição global, ocorreu no futebol de salão, quem ganhasse aquele jogo seria o campeão da PAULI–POLI daquele ano. O ginásio estava completamente lotado, porque em anos anteriores geralmente a decisão já ocorria no meio da semana com vitória da Poli. Neste ano de 1965, no entanto, a decisão da competição ficou para o último dia. Muitos médicos que haviam se formado há muito tempo, que nunca haviam ganho a PAULI–POLI, estavam lá, vieram de diferentes lugares da cidade e mesmo de outras cidades próximas torcer pela nossa vitória. O ginásio do Pacaembu estava superlotado por torcedores de ambas as faculdades, mas a maioria era da EPM, havia uma grande expectativa, a esperança na nossa vitória era enorme, a emoção transpirava por todos os nossos poros, uma sensação indescritível, depois de tantos anos de seguidas derrotas aquele era o momento da redenção, não podíamos frustrar os anseios de vitória de um sem número de colegas atuais e daqueles veteranos, já médicos que vieram nos apoiar (Figura 16).

Figura 15- Time de volei que quebrou uma longa série de derrotas na PAULI-POLI de 1965. Sou o terceiro da direita para a esquerda em pé.

Figura 15- Time de volei que quebrou uma longa série de derrotas na PAULI-POLI de 1965. Sou o terceiro da direita para a esquerda em pé.

Figura 16- Time de futebol de salão que deu a vitória final na competição geral da PAULI-POLI de 1965, depois de 15 anos de espera.

Figura 16- Time de futebol de salão que deu a vitória final na competição geral da PAULI-POLI de 1965, depois de 15 anos de espera.

Figura 17- Time principal de futebol de salão da noite memorável. Da esquerda para a direita Del Grande, Enio, Mantovani e Eu.

Figura 17- Time principal de futebol de salão da noite memorável. Da esquerda para a direita Del Grande, Enio, Mantovani e Eu.

Figura 18- A tão ambicionada e conquistada medalha de ouro da PAULI-POLI.

Figura 18- A tão ambicionada e conquistada medalha de ouro da PAULI-POLI.

Figura 19- INTERMED de Botucatu de 1969.

Figura 19- INTERMED de Botucatu de 1969.

Figura 20- Time de futebol de campo campeão da INTERMED 1969.

Figura 20- Time de futebol de campo campeão da INTERMED 1969.

Figura 21- Lance da partida final de volei por nós vencida. Estou atacando.

Figura 21- Lance da partida final de volei por nós vencida. Estou atacando.

Figura 22- Time de volei campeão da INTERMED de Botucatu de 1969. Estou com o troféu na mão.

Figura 22- Time de volei campeão da INTERMED de Botucatu de 1969. Estou com o troféu na mão.

Figura 23- Celebração pela vitória da competição geral da INTERMED de Botucatu 1969.

Figura 23- Celebração pela vitória da competição geral da INTERMED de Botucatu 1969.

Figura 24- Celebração da vitória da INTERMED de Botucatu 1969.

Figura 24- Celebração da vitória da INTERMED de Botucatu 1969.

Figura 25- Festa de comemoração da vitória da INTERMED de Botucatu 1969 na nossa Atlética.

Figura 25- Festa de comemoração da vitória da INTERMED de Botucatu 1969 na nossa Atlética.

Figura 26- Ato de inauguração da INTERMED de Santos 1970 no estádio da Vila Belmiro.

Figura 26- Ato de inauguração da INTERMED de Santos 1970 no estádio da Vila Belmiro.

Figura 27- Time de futebol que disputou a INTERMED de Santos 1970. Estou no centro abaixado.

Figura 27- Time de futebol que disputou a INTERMED de Santos 1970. Estou no centro abaixado.

Figura 28- Lance da partida contra a "porcada" no jogo que fomos desclassificados nos penaltis após cerca de 20 cobranças de cada lado. Estou cobrando uma falta para defesa do goleiro adversário.

Figura 28- Lance da partida contra a “porcada” no jogo que fomos desclassificados nos penaltis após cerca de 20 cobranças de cada lado. Estou cobrando uma falta para defesa do goleiro adversário.

Figura 29- Disputa da final do volei da INTERMED de Santos de 1970 por nós vencida. Estou levantando a bola.

Figura 29- Disputa da final do volei da INTERMED de Santos de 1970 por nós vencida. Estou levantando a bola.

Figura 30- Nossa gloriosa bandeira o Nicodemo celebrando a conquista da INTERMED de Santos de 1970.

Figura 30- Nossa gloriosa bandeira o Nicodemo celebrando a conquista da INTERMED de Santos de 1970.

Figura 31- Grande celebração pela vitória no futebol de salão na INTERMED de Santos de 1970. Estou ao centro com o troféu na mão esquerda.

Figura 31- Grande celebração pela vitória no futebol de salão na INTERMED de Santos de 1970. Estou ao centro com o troféu na mão esquerda.

Figura 32- Time de futebol campeão da FUPE de 1970. Estou agachado o segundo da esquerda para a direita.

Figura 32- Time de futebol campeão da FUPE de 1970. Estou agachado o segundo da esquerda para a direita.

O jogo começou duríssimo, o time deles era muito bom, começamos perdendo de um a zero, viramos para dois a um e no final ganhamos, foi uma festa, não imaginava a transcendência disso tudo (Figura 17).

A INTERMED teve início em 1967, nós nos sagramos vencedores da competição geral, bem como em 1969 e 1970. Em 1969, em Botucatu, obtivemos uma vitória bastante folgada, mais uma vez vencemos nas 3 modalidades das quais eu participava, futebol, futebol de salão e vôlei (Figuras 19–20-21-22-23-24-25).

Em 1970, em Santos, meu último ano de participação, entretanto, a vitória na competição geral foi apertadíssima, somente foi definida no último dia e mais ainda na última partida, a de vôlei entre nós e a “porcada”. No futebol empatamos com a “porcada” 1×1, mas fomos desclassificados nos pênaltis, isso foi uma grande frustração para nós porque contávamos com essa vitória para o cômputo geral (Figuras 26-27-28).

Aliás, para vencermos a competição geral, vencemos por meros 0,5 pontos de diferença, era necessário que naquele domingo à tarde, nós teríamos que vencer todas as competições em disputa, futebol de salão contra Ribeirão Preto, vencemos por 4×2, vôlei feminino contra a “porcada”, vencemos por 2×0, e vôlei masculino contra a porcada, vencemos por 3×0. Ao final de tudo foi uma festa imensa e eu pude me despedir da vida de atleta com uma vitória inesquecível (Figuras 29-30-31).

Mas uma grande surpresa estava por ocorrer, pois quando a partida de vôlei terminou fui carregado nos ombros pela nossa torcida e levado em direção à torcida da “porcada”, quase como um ato de desafio pelo nosso grandioso triunfo. Entretanto, contrariando minha expectativa de que receberia uma imensa vaia por esta provocação, a torcida adversária se levantou e me aplaudiu efusivamente, possivelmente em reconhecimento aos 6 anos de árduas disputas. Jamais me esqueci desse gesto magnânimo de um adversário tão renhido e com tanta rivalidade em jogo. São pequenos momentos de glória que o esporte nos proporciona e que enchem de orgulho a nossa alma.

Dentre os campeonatos da FUPE, no vôlei no meu primeiro ano conseguimos um honroso e inédito terceiro lugar, não tínhamos tradição nesta modalidade, geralmente não passávamos da fase de classificação. Em 1965, tivemos um desempenho excepcional e eu fui eleito o atleta do ano pela FUPE na modalidade. Posteriormente, em 1969, conseguimos o vice-campeonato. No futebol, no meu último ano, em 1970, depois de várias tentativas de conseguir uma boa colocação no campeonato da FUPE, nos sagramos campeões, sendo que na semifinal vencemos uma faculdade de Educação Física de Campinas que tinha vários jogadores profissionais e na final vencemos a faculdade de Educação Física de São Carlos por 4×1 que também tinha vários jogadores profissionais do interior do Estado (Figura 32).

Neste ano para coroar minha vida de esportista fui eleito o atleta do ano da FUPE na modalidade de futebol, tornar realidade maior sonho do que este impossível.

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