Abordagem da anemia nas doenças gastrointestinais: uma posição sobre o estado da arte pelo Comitê de Gastroenterologia da ESPGHAN (Parte 5)
Prof. Dr. Ulysses Fagundes Neto
A renomada revista JGPGN publicou, em 2025;80:510-32, um artigo sobre o estado da arte intitulado “Approach to anaemia in gastrointestinal disease: A position paper by the ESPGHAN Gastroenterology Committee”, de Broekaert IJ e cols., que abaixo passo a resumir em seus principais aspectos.
- Abordagem diagnóstica da anemia
5.1 Recomendações
A triagem para anemia deve ser realizada em todas as crianças portadoras de enfermidades gastrointestinais agudas e crônicas, em um diagnóstico inicial, e, deve ser repetida regularmente considerando-se o grau da anemia, e, durante a evolução da enfermidade de base.
5.1.1 Afirmação
Nas Doenças Inflamatórias Intestinais Crônicas, tais como, Colite Ulcerativa e Doença de Chron, torna-se necessário diferenciar a anemia por Deficiência de Ferro da anemia por Doença Crônica e da anemia por Deficiência Funcional de Ferro.
5.1.2 Pontos Práticos
- A triagem para anemia deve incluir a avaliação dos parâmetros hematológicos, os níveis de ferro sérico, parâmetros inflamatórios, sorologia para Doença Celíaca e pesquisa de sangue oculto nas fezes e Calprotectina Fecal (Tabela 1).
- A avaliação nutricional deve incluir a investigação da ingestão de micronutrientes e, também, a ingestão de alimentos capazes de inibir a absorção de ferro (Tabela 1).
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- O Volume corpuscular médio das hemácias, bem como a contagem de reticulócitos, são auxiliares para a classificação da anemia, como passo inicial, além de possíveis diagnósticos posteriores e a determinação da etiologia da anemia na enfermidade gastrointestinal (Tabela 1).
Sumário das evidências
Para a abordagem diagnóstica é importante usar a classificação da anemia de acordo com sua patogênese (anemia hipo-regenerativa com baixa contagem de reticulócitos vs. anemia regenerativa com contagem normal ou elevada de reticulócitos) e a morfologia das hemácias (anemia microcítica vs. normocítica vs. macrocítica) (Figura 1).
Levando-se em consideração que há uma grande perspectiva para a realização de vários exames, porque um único teste pode ser incapaz de distinguir anemia por deficiência de ferro da anemia devido a enfermidade crônica ou deficiência funcional de ferro, torna-se importante utilizar uma combinação de vários testes (Tabela 4).(Continua na próxima publicação)


