Critérios de Roma V: Distúrbios Pediátricos do Trato Gastrointestinal Superior Relacionados à Interação Intestino-Cérebro (Parte 1)
Prof. Dr. Ulysses Fagundes Neto
A renomada revista Gastroenterology publicou, em 2026;170:1347-66, um artigo sobre o estado da arte intitulado “Rome V: Pediatric Upper Gastrointestinal Disorders of Gut-Brain Interaction”, de Rosen R. e cols., que abaixo passo a resumir em seus principais aspectos.
Os critérios de Roma V: Transtornos do Trato Gastrointestinal Superior em Pediatria, espelha alguns diagnósticos observados em adultos, e, por outro lado, desenvolve diversos novos diagnósticos em Pediatria, particularmente no que diz respeito aos transtornos esofágicos e à alimentação funcional, onde mais subtipos específicos foram adicionados para proporcionar maior clareza diagnóstica e manejo clínico.
G1. Transtornos Esofágicos
O uso da tecnologia da pHmetria-impedância tem aumentado os conhecimentos dos transtornos esofágicos. No passado, a doença do refluxo não-erosiva era o único diagnóstico nas crianças que não apresentavam lesões por refluxo gastresofágico. A utilização desta nova metodologia de investigação tem possibilitado a inclusão de fenótipos adicionais em pacientes com sintomas significativos que são tipicamente associados com a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) (Figura 1).
G1a. Hipersensibilidade ao Refluxo
Os mecanismos de base do refluxo por hipersensibilidade são multifatoriais e incluem episódios típicos de refluxo, lesão da integridade da mucosa, sensibilização central e periférica, a posição neuronal na mucosa e fatores genéticos e psicológicos. Os fatores envolvendo os pacientes podem impactar nos sintomas, incluindo: ansiedade, hipervigilância e distúrbios do sono.
Tratamento
Ensaio empírico da supressão ácida com a utilização de um inibidor da bomba de próton. O ensaio empírico da supressão deve ser limitado em até 8 semanas, e, outros testes diagnósticos devem ser buscados caso os sintomas não regridam. Antagonistas do receptor da histamina podem também tratar a hipersensibilidade esofágica.
G1b. Transtorno da dor esofágica com teste negativo para refluxo
Pacientes com este tipo de manifestação apresentam uma visualização normal à endoscopia e não evidenciam refluxo ácido patológico.
Tratamento
O tratamento desta patologia é multimodal envolvendo medicação e terapia comportamental cognitiva. Um ensaio empírico com supressão ácida é geralmente tentado. Caso haja fracasso nesse tipo de tratamento deve ser indicado o uso de neuromoduladores.
G1c. Critérios Diagnósticos para transtornos do trânsito aéreo esofágico
G1c.I Critérios diagnósticos para Síndrome da Aerofagia
G1c.II Critérios diagnósticos para Síndrome de Eructação Supra Gástrica
G2. Transtornos Funcionais da Alimentação em Pediatria
G2. Critérios Diagnósticos para os Transtornos Alimentares Funcionais
G2a. Critérios Diagnósticos para Disfagia de Hipersensibilidade
G2b. Critérios Diagnósticos para Alimentação restritiva antecipada
G2c. Critérios Diagnósticos para os Transtornos da desregulação da fome
G2d. Critérios Diagnósticos para o Transtorno Alimentar Funcional induzido por medicamento
Referências Bibliográficas
- Van Lennep e cols. – Eur J Pediatr 2024;183:445-452
- Blasi E e cols. – J Neurogastroenterol Motil 2023;29:156-165
- Leoni C e cols – Am J Med Genet 2022;188:3287-3293
- Kovacic K e cols – J Pediatr 2021;228:126-131
- Katzman DK e cols – JAMA Pediatr 2021;175:3861
Continua na próxima publicação











